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Gestão de perecíveis

Como reduzir perdas de perecíveis no pescado: 7 práticas de controle de lotes

Perda de pescado quase nunca acontece de uma vez. Sete práticas de recebimento, armazenagem e venda para agir antes que o lote vire prejuízo.

Equipe Maré · · 4 min de leitura

No balcão de pescado, a perda raramente aparece como um grande acidente. Ela vem em parcelas pequenas: o gelo que derreteu durante a noite, o lote que ficou no fundo da câmara, a peça que passou um dia a mais na vitrine, o quilo que sumiu entre o recebimento e a venda. Quem só olha o inventário do fim do mês vê o tamanho do problema quando já não dá para fazer nada.

A boa notícia é que quase toda perda deixa sinais antes de acontecer. O segredo está em registrar esses sinais no momento certo e transformá-los em decisão no balcão.

Por que o pescado pede um controle diferente

Pescado não é um produto só. Fresco, resfriado, congelado e salgado seco têm vidas úteis e cuidados muito diferentes. O bacalhau seco e salgado aguenta semanas bem armazenado; o mesmo bacalhau depois de dessalgado passa a se comportar como um produto fresco.

Por isso, controlar "quantos quilos de bacalhau eu tenho" não basta. É preciso saber quais quilos, de qual entrada, em qual forma e até quando. Esse é o papel do controle de lotes.

1. Receba com conferência, não com pressa

O recebimento é o primeiro ponto de perda e o mais fácil de controlar. Antes de guardar a mercadoria:

  • confira a temperatura e a condição do gelo (o pescado fresco deve chegar sob gelo, perto de 0 °C);
  • avalie o aspecto: olhos, guelras, firmeza da carne e odor;
  • pese na balança da loja e compare com a nota fiscal;
  • registre lote, validade e fornecedor no sistema, ali mesmo.

Divergência de peso ou de qualidade se resolve com o fornecedor na hora. Depois que o produto entrou na câmara, a diferença vira prejuízo da loja.

2. Dê a cada entrada um lote próprio

Duas entregas do mesmo salmão, em dias diferentes, são dois lotes diferentes. Cada lote precisa de identificação, data de entrada, fornecedor, validade e quantidade. Sem isso, a loja enxerga só um saldo misturado e não consegue saber o que vence primeiro.

3. Use FEFO, não apenas FIFO

Muita loja aplica o FIFO (primeiro que entra, primeiro que sai). Para perecíveis, o critério mais seguro é o FEFO: primeiro que vence, primeiro que sai.

CritérioRegraQuando falha
FIFOSai antes o que entrou antesQuando um lote mais novo chega com validade menor
FEFOSai antes o que vence antesSó falha se a validade não estiver registrada

Na maior parte do tempo os dois coincidem. Mas, quando não coincidem, é justamente o caso que gera perda.

4. Organize câmara e vitrine pela validade

O controle no sistema precisa se refletir no espaço físico. Na câmara, os lotes que vencem antes ficam na frente, com etiqueta visível de lote e validade. Na vitrine, a reposição acontece por trás, empurrando o produto mais antigo para a frente.

Uma regra simples ajuda a equipe: quem repõe sempre olha a etiqueta, nunca a caixa que está mais perto da porta.

5. Transforme o alerta em ação no balcão

Saber que um lote vence amanhã só ajuda se alguém fizer algo com essa informação. Com os alertas de validade em mãos, o gerente da loja pode:

  • dar prioridade de exposição ao lote, na altura dos olhos;
  • porcionar em cortes que giram mais rápido;
  • fazer uma oferta do dia, antes que seja tarde para vender a preço justo;
  • orientar a equipe a sugerir aquele produto aos clientes do dia.

O melhor momento para agir é um ou dois dias antes do vencimento, não no próprio dia.

6. Registre toda perda, sempre com o motivo

Perda que não é registrada não desaparece: ela só se mistura com a margem. E perda registrada sem motivo não ensina nada.

Separe pelo menos estes motivos:

  • vencimento;
  • avaria ou contaminação;
  • quebra de peso (desidratação, descongelamento, aparas);
  • erro de pesagem ou de cadastro.

Com o motivo, a solução aparece. Muito vencimento pede ajuste de compra. Muita quebra de peso pede revisão de armazenagem ou de porcionamento.

7. Acompanhe a perda por produto e por loja

O indicador mais útil é simples: perda em reais dividida pela venda do mesmo produto, no mesmo período. Olhar esse número por produto e por loja mostra onde está o problema.

Numa rede de franquias, comparar lojas é especialmente valioso. Se uma unidade perde muito mais camarão que as outras, a causa pode estar na compra, na exposição ou no treinamento da equipe. A franqueadora consegue enxergar esse padrão e levar a boa prática de uma loja para as demais.

Checklist do dia

  • Recebimento conferido e lotes registrados com validade
  • Câmara organizada: o que vence antes fica na frente
  • Alertas de validade revisados pelo gerente
  • Ação definida para os lotes que vencem em até dois dias
  • Perdas do dia registradas com motivo
  • Gelo e temperatura da vitrine conferidos

Controlar lotes dá trabalho no começo. Depois que vira rotina, a loja passa a vender o que tem antes que ele vire perda, e a margem para de escorrer pelas frestas.